Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição neurobiológica caracterizada por dificuldades persistentes de atenção, impulsividade e, em alguns casos, hiperatividade. Para o diagnóstico, é necessário que os sintomas estejam presentes antes dos 12 anos de idade, conforme estabelecido pelo DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – 5ª Edição). Embora alguns sintomas possam persistir ao longo da vida, o quadro tende a apresentar atenuação na adolescência, especialmente após os 14 anos. Em adultos, o diagnóstico deve ser feito com cautela e requer a confirmação clara de sintomas desde a infância, pois quadros iniciados apenas na vida adulta frequentemente estão relacionados a outras condições clínicas ou psicológicas.
Os principais sintomas incluem dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes, desorganização, dificuldade em concluir tarefas, tendência a interromper os outros, agir sem pensar e inquietação. Esses sintomas podem impactar o desempenho escolar, profissional, social e emocional.
Critérios diagnósticos (DSM-5-TR)
De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR), o diagnóstico do TDAH é clínico e baseado na presença de um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento ou desenvolvimento.
Os principais critérios incluem:
- Presença de sintomas por pelo menos 6 meses, em intensidade incompatível com o nível de desenvolvimento;
- Início dos sintomas antes dos 12 anos de idade;
- Presença dos sintomas em dois ou mais contextos (por exemplo, casa, escola ou trabalho);
- Evidência clara de prejuízo funcional (acadêmico, profissional ou social);
- Exclusão de outras condições que possam explicar melhor os sintomas.
O DSM-5-TR classifica o TDAH em três apresentações: predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa/impulsiva e apresentação combinada.
Critérios de exclusão e diagnósticos diferenciais
É fundamental destacar que nem toda dificuldade de atenção corresponde a TDAH. Diversas condições clínicas, psiquiátricas e fatores ambientais podem causar sintomas semelhantes e devem ser cuidadosamente avaliados antes de se estabelecer o diagnóstico.
Entre os principais diagnósticos diferenciais, destacam-se:
- Transtornos de ansiedade;
- Depressão;
- Transtornos do sono, como insônia ou apneia do sono;
- Uso de substâncias ou efeitos de medicamentos;
- Transtornos de aprendizagem;
- Estresse crônico e sobrecarga emocional;
- Transtornos do espectro autista;
- Condições neurológicas ou clínicas que afetem a cognição.
Além disso, fatores como privação de sono, excesso de estímulos digitais, rotina desorganizada e demandas ambientais elevadas podem contribuir para sintomas de desatenção e dificuldade de concentração, sem que haja TDAH.
Uma avaliação especializada é essencial para um diagnóstico correto, evitando tanto o subdiagnóstico quanto o diagnóstico excessivo.
Tratamento
O tratamento do TDAH é individualizado e pode incluir:
- Psicoeducação;
- Terapia cognitivo-comportamental;
- Uso de medicações, quando indicado;
- Estratégias de organização e planejamento;
- Orientações para familiares e escola, no caso de crianças e adolescentes.
Com diagnóstico adequado e abordagem terapêutica correta, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida, o desempenho nas atividades diárias e as relações interpessoais.
Para um diagnóstico e tratamento adequado é fundamental uma avaliação médica (neurológica), geralmente associada a avaliações multidisciplinares (psicoterapia, avaliação psicodiagnóstica, histórico de desempenho escolar, etc.)
Referências
- AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Internacional de Doenças – CID-11. Genebra: OMS, 2019.
- BARKLEY, Russell A. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: guia completo para diagnóstico e tratamento. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
- NICE – NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management. Londres: NICE, 2019.
- ROHDE, Luis Augusto; HALPERN, Ricardo. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: atualização. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, v. 80, n. 2, p. S61-S70, 2004.
